Quando eu era criança, achava que a minha vida seria fácil. Eu tinha muitos amigos. Na vizinhança, tinha muitos meninos da minha idade e alguns um pouco mais velhos ou mais novos. Eles foram meus amigos. O meu erro foi achar que essa amizade viveria para o resto de nossas vidas. Eu nunca me esqueço das promessas que vivíamos fazendo: “Seremos amigos para sempre!”.
O tempo passou e o vento levou as pessoas para outros lugares. E essas pessoas levaram consigo a promessa que um dia fizeram.
Na minha adolescência, não posso dizer que fui completamente infeliz. Aos 14/15 anos, tinha amigos e me sentia realizado. Aquele foi o meu auge. E quando alguma coisa chega ao auge, chega também o começo da decadência. Foi assim comigo.
Algumas pessoas não se lembram o exato momento em que as suas vidas começaram a dar errado. Ao contrário delas, eu me lembro muito bem.
Eu tinha 16 anos quando as coisas começaram a mudar. Uma sucessão de desastres pessoais me deu a personalidade que tenho hoje. Comecei a escrever para passar o tempo, pois ficava muito tempo sozinho e isolado do mundo. Hoje aos 18 anos, já sei que muita coisa mudou e que é definitivo. Antigos amigos, novos modos de pensar e agir. Eu já não tenho amigos!
Para que fique muito claro, eis a minha declaração em várias línguas:
Inglês: I don´t have friends.
Espanhol: Yo no tengo amigos.
Italiano: Io non ho amici.
Francês: Je n'ai pas d'amis.
Eu não sei se existe algum motivo que me afasta das pessoas ou que faça eu me afastar delas. Talvez, eu me apegue demais ao passado e às pessoas que fizeram parte da minha vida. E por isso, esteja confuso para seguir adiante em novos caminhos. Já não acredito no valor moral das pessoas, embora ainda tente lutar contra essa minha convicção.
Não estou aqui dizendo isso para que tenham pena de mim. Estou aqui para assumir em bom e claro português: Eu não tenho amigos.
sábado, 24 de março de 2012
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